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Especialistas comprovam ganhos em saúde, socialização e adaptabilidade na relação entre humanos e animais de companhia

2011-10-13

Evento promovido pela COMAC contou com o depoimento de especialistas em bem-estar, saúde e comportamento animal, que afirmaram existir diversas melhorias para os dois lados no relacionamento entre humanos e animais de companhia.

O afeto entre homem e animais de companhia comprovadamente oferece uma série de benefícios para ambos os lados. Os ganhos em saúde, socialização e adaptabilidade, que estão entre as principais vantagens do contato e da troca de experiências entre as duas partes, e o que fazer para manter esta relação saudável foi tema do encontro 'Pet + Gente: Um Olhar Diferente', ocorrido dia 5 de outubro, em São Paulo (SP). Idealizado pela Comissão Animais de Companhia (COMAC) com o intuito de expor aos veículos de imprensa este aspecto da relação com animais de companhia visando maior abordagem nas divulgações destes importantes benefícios da relação entre os pets e seus proprietários, o evento contou com a participação de renomados especialistas em bem estar, saúde e comportamento animal. O presidente da COMAC, Luiz Luccas, destacou os números do mercado brasileiro de saúde para animais de estimação. Com base em dados das pesquisas 'Radar Pet' (COMAC, 2009) e 'Estudo Pet Brasil' (GS&MD, 2011), comparando com o expressivo mercado norte americano. Luccas expôs um cenário de mercado com grande potencial de crescimento no país e algumas lacunas a serem preenchidas. Um exemplo disso é o investimento em saúde e prevenção. Enquanto nos Estados Unidos foi destinado para estes fins 49% do total de US$ 48 bilhões gastos com animais de estimação em 2010, no Brasil o investimento ainda está em apenas 10% de R$ 10 bilhões. "São dados que expõem uma sociedade madura, que privilegia a prevenção sanitária, em comparação com a nossa que começa a enxergar as necessidades reais dos pets visando um comportamento e relacionamento saudável com seus proprietários". Outro aspecto destacado envolve a definição do que leva o homem a investir na relação com seu pet: o vínculo. Mauro Lantzman, médico veterinário e clínico especialista em comportamento animal, abordou o assunto classificando o animal de companhia como agente facilitador da coesão, adaptabilidade e comunicação humana. "O animal de companhia pode facilitar a adaptação às mudanças envolvendo separações e perdas, por exemplo, além de ser um grande facilitador da comunicação e a aproximação entre as pessoas, que cada vez mais se agregam, se reúnem em torno do animal. Esse é um reflexo da família contemporânea, porém, é importante que todos estejam preparados para essa convivência", refletiu. A presidente da Associação Médico-Veterinária Brasileira de Bem-Estar Animal (AMVEBBEA), Drª. Ceres Faraco fez coro às declarações de Lantzman, destacando a terapia assistida por animais como fator de grande influência positiva no tratamento de crianças com déficit intelectual e motor, influenciando diretamente em maior autonomia e interação das crianças. A especialista também enumerou a diversidade de possibilidades da participação do animal de companhia na sociedade, envolvendo atividades em hospitais, presídios, escolas, consultórios, clínicas e ambientes de trabalho. Já o zootecnista, proprietário da empresa 'Cão Cidadão', Alexandre Rossi, fechou as apresentações convidando o público presente a refletir sobre a educação do pet como fator básico da relação saudável, e esclarecendo mitos que giram em torno do adestramento de cães para que se mantenha uma relação de harmonia entre as partes. Para finalizar, Rossi deu um exemplo de seu novo estudo sobre a identificação de comandos para cachorros por palavras via internet, mostrando habilidades de sua cadelinha 'Estopinha' com comandos emitidos por ele via Skype. "O mercado de animais de companhia é considerado novo, com surgimento nos anos 90 e vem se desenvolvendo em conjunto com a urbanização do Brasil e as novas estruturas familiares e sociais, bem como a partir da melhora da renda das pessoas", afirma Luiz Luccas. "O debate em torno dos aspectos que envolvem a relação entre o proprietário e o pet é muito oportuno considerando o potencial de crescimento desse mercado, e visa possibilitar a consolidação de um setor de forma equilibrada e saudável", completa. Mercado de Saúde Animal No Brasil, o segmento pet responde por cerca de 10% do faturamento da indústria de produtos para saúde animal (cerca de R$ 300 milhões), segundo valores líquidos da indústria. Com o crescimento da economia e do consumo, o setor está crescendo mais vigorosamente (previsão de 15% de crescimento para 2011) e enfrenta o desafio de estimular e expandir sua atuação fazendo com que os produtos de alta qualidade cheguem ao dia-a-dia dos consumidores. Para efeito de comparação, segundo dados da International Federation for Animal Health (IFAH), entidade que reúne a indústria de produtos para saúde animal no mundo, em 2010, o faturamento da indústria veterinária no mundo foi de US$ 20,1 bilhões, sendo 41% (US$ 8,4 bilhões) referente aos produtos para saúde animal (medicamentos e vacinas) para animais de companhia.